Seminário Internacional Conhecimentos Tradicionais e Propriedade Intelectual na Era da Inteligência Artificial


O Seminário Internacional Conhecimentos Tradicionais e Propriedade Intelectual na Era da Inteligência Artificial é uma iniciativa do Laboratório de Conhecimentos Tradicionais (LACONTRA) da Faculdade de Direito da da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, um projeto conjunto do Museu da Língua Portuguesa (MLP) e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP).
A discussão sobre a ainda insuficiente proteção aos conhecimentos tradicionais tem sido reacendida nos últimos anos. De um lado, sinalizam para maior robustez jurídica: a viabilidade de protocolos comunitários, as políticas de restituição, o fortalecimento do consentimento prévio, livre e informado e do regime de repartição de benefícios e a aprovação de um tratado internacional inédito sobre recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados na Organização Mundial da Propriedade Intelectual. De outro lado, porém, a relativa ineficácia de mecanismos existentes, as constantes ameaças territoriais no Brasil e no mundo e, em particular, a emergência da inteligência artificial (IA) generativa trazem novos desafios para a efetivação de direitos intelectuais indígenas. Nesse sentido, enquanto instrumentos de propriedade intelectual, propriedade cultural e direito privado são mobilizados para buscar a proteção a tais conhecimentos, há também grande incerteza
jurídica sobre o uso de materiais associados a conhecimentos indígenas para o treinamento de sistemas de IA (inputs) e para a criação de resultados (outputs), bem como para seus usos e repercussões políticas e jurídicas.
O presente seminário busca pensar em saídas concretas, a partir de uma perspectiva comparada, para os impasses trazidos pela IA no contexto de proteção a conhecimentos tradicionais, especialmente aos conhecimentos indígenas. Ao aproximar experiências jurídico-institucionais de jurisdições de diversos países, com protocolos em setores específicos (audiovisuais, gestão territorial, governança de dados, entre outros), o seminário espera trazer contribuições importantes para projetos, como o do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (CDLCI), aportando subsídios e respostas jurídicas para a preservação e a proteção dos direitos intelectuais indígenas, como protocolos comunitários e instrumentos de direito privado em construção pelo Centro.
A programação reunirá pesquisadores e especialistas de diferentes países cujas intervenções abordarão os direitos intelectuais indígenas e IA; a agenda internacional de propriedade intelectual e povos tradicionais; perspectivas comparadas, com destaque para experiências da Austrália, Brasil, Colômbia, Canadá, Melanésia, México e Índia, bem como os riscos, as potencialidades e as estratégias disponíveis para comunidades e instituições diante do avanço da IA.


O seminário terá participações em português, espanhol e inglês, com apoio de tradução, e contará com tradução em Libras.


Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais (LACONTRA)
O LACONTRA é uma iniciativa de pesquisa e extensão vinculada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD-USP). Sua missão é atuar como um espaço de interlocução acadêmica e apoio técnico voltado aos povos indígenas e demais comunidades tradicionais, com foco na proteção de seus direitos intelectuais e na salvaguarda de seus saberes, expressões culturais e formas próprias de governança. O laboratório busca, por meio da aproximação entre a universidade e as comunidades, qualificar o acesso dos povos tradicionais a seus direitos, de modo a contribuir para a sua proteção frente a dinâmicas de colonialidade do saber e da tecnologia. Suas atividades se estruturam em três eixos principais: (i) o mapeamento e a análise de estruturas jurídicas e institucionais relacionadas à proteção dos direitos intelectuais de povos indígenas e comunidades tradicionais no
Brasil; (ii) a elaboração de instrumentos normativos de governança de dados, adaptados à tutela coletiva e às especificidades culturais dos grupos envolvidos; e (iii) a produção de materiais informativos acessíveis. O laboratório integra o escopo do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Nesse contexto, o laboratório atua a partir de demandas concretas oriundas do centro, com o intuito de oferecer subsídios e respostas jurídicas para a preservação e a proteção dos direitos intelectuais indígenas.


Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (CDLCI)
O Centro é uma iniciativa conjunta do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo e do Museu da Língua Portuguesa, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Criado em maio de 2025, o Centro surge em um contexto global de valorização e fortalecimento das línguas e conhecimentos dos povos indígenas, alinhado à Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Seu principal objetivo é apoiar atividades de documentação e preservação do material documentado a partir de uma abordagem que coloque em primeiro lugar a relação de confiança e respeito com as comunidades e pessoas. Respeitando as decisões indígenas sobre o que deve ser gravado, armazenado e difundido, o Centro oferecerá bolsas a pesquisadores indígenas e não
indígenas em variados níveis de formação, financiará pesquisas de campo voltadas à documentação e ações de comunicação cultural e manterá um repositório digital acessível que possibilite aos povos indígenas construir acervos digitais em seus próprios termos. O Centro espera construir uma extensa rede de parceiros e colaboradores comprometidos com a documentação da diversidade linguística e cultural indígena.

PROGRAMAÇÃO


23 de junho | 9h às 17h
09:00 – 09:15 — Abertura

Renata Vieira da Motta (CDLCI/MLP) e Ana Elisa Liberatore Silva Bechara (FD/USP)

09:15 – 09:45 — Painel 1 | Direitos Intelectuais Indígenas e Inteligência Artificial
Vitor Ido (FD/USP) e Cauê Fanha (MinC)

09:45 – 10:45 — Painel 2 | Conhecimentos Tradicionais e Propriedade Intelectual na Agenda Internacional
Ruth Lade Okediji (Harvard University)
Moderação e tradução: Vitor Ido (CDLCI, FD/USP)


10:45 – 11:15 — Coffee break


11:15 – 12:10 — Painel 3 | Perspectivas comparadas I Austrália, Brasil, Colômbia
Bruno Pegorari (La Trobe University), Susana Kaingang (Instituto Kaingang) e Julio César Gaitán Bohórquez (ISUR)
Mediação: Maria Luísa Lucas (CDLCI, MAE/USP)


12:10 – 13:00 — Painel 4 | Perspectivas comparadas: Canadá, Melanésia e Índia
Alex Alexis (Panthéon-Sorbonne), James Leach (CNRS) e Sachin Sathyarajan Ennazhi (MAHE)
Mediação: Sophia Couto Bittencourt (CDLCI, FD/USP)


13:00 – 14:00 — Intervalo (almoço)


14:00 – 15:00 — Painel 5 | Riscos, Potencialidades e Estratégias (1)
Claudio Santos Pinhanez (MIT), Leilani Dian Mendes (University of St. Gallen) e Guilherme Capinzaiki Carboni (ECA/USP)
Mediação: Mariana Yumi Shimmi Ide (CDLCI, FD/USP) e Khadja Vanessa Brito de Oliveira (FD/USP)


15:00 – 15:30 — Coffee Break


15:30 – 16:30 — Painel 6 | Riscos, Potencialidades e Estratégias (2)
Paula Westenberger (Brunel University), Alejandro Mayoral Baños (Access Now) e Leonardo Feltrin Foletto (ECA/USP)
Mediação: Majoí Favero Gongora (CDLCI/MLP)


16:30 – 17:00 — Encerramento


PARTICIPANTES


Alejandro Mayoral Baños
É pesquisador, ativista e comunicador dedicado à defesa dos bens comuns, dos conhecimentos comunitários e da justiça socioambiental. Como imigrante mixteco/mestiço (indígena do México) no Canadá e orgulhoso membro da comunidade 2SLGBTQIA+, a jornada de Alejandro é impulsionada por um compromisso com a inclusividade e a equidade através da tecnologia. Ele é o fundador da Indigenous Friends Association (IFA) no Canadá e da Magtayaní no México. Com um histórico em voluntariado e ação social, os esforços de Alejandro abrangeram vários países (Canadá, México, Peru, Guatemala, Chile e Bolívia, entre outros) e foram reconhecidos em 2023 quando ele se tornou um Ashoka Fellow. Suas conquistas acadêmicas incluem um doutorado em Comunicação e Cultura, com ênfase em computação decolonial e mídia Indígena. Atua em iniciativas voltadas à proteção de saberes tradicionais, governança comunitária do conhecimento e alternativas ao modelo convencional de propriedade intelectual.


Alex Alexis
É professor na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne (especializado em Direito Comparado e Internacional) e na Universidade de Montreal (especializado em Inovação, Ciência, Tecnologia e Direito). Sua atuação acadêmica concentra-se em propriedade intelectual, patrimônio cultural, direitos culturais e regulação de bens imateriais. Desenvolve pesquisas sobre os desafios jurídicos relacionados à proteção de conhecimentos tradicionais e expressões culturais diante das transformações tecnológicas contemporâneas.


Ana Elisa Liberatore Silva Bechara
É graduada (1998), doutora (2004) e livre-docente (2011) pela Faculdade de Direito da USP, onde é Diretora (gestão 2026-2030), Professora Titular de Direito Penal. Diretora da Área de Gênero, Relações Étnico-Raciais e Diversidades na Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP. Foi pesquisadora convidada junto ao Max Planck Institut für ausländisches und internationales Strafrecht (2009); à Rheinische Friedrich Wilhelms Universität Bonn (2009) e à Universidad de Salamanca (2010). É professora visitante da Universidad de Salamanca desde 2011, sendo docente do Programa de Doutorado “Estado de Derecho y Gobernanza Global” e do “Máster en Estudios Brasileños”. É membro do conselho editorial de inúmeros periódicos especializados, bem como de associações técnico-científicas nacionais e estrangeiras. Junto ao Governo do Estado de São Paulo, foi membro do Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária; do Comitê Interinstitucional de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas; e do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Administração Penitenciária. Tem como principais linhas de atuação teoria do bem jurídico; hermenêutica penal; combate à corrupção; e questões de gênero e Direito.


Bruno Pegorari
É pesquisador e docente da La Trobe University, na Austrália. Seus trabalhos concentram-se na intersecção entre antropologia, estudos indígenas, patrimônio cultural e tecnologias digitais. Desenvolve pesquisas colaborativas com comunidades indígenas, especialmente sobre preservação cultural, produção de conhecimento e os impactos das novas tecnologias sobre formas tradicionais de transmissão de saberes.


Cauã Fanha
É diplomata de carreira e, desde 2024, ocupa o cargo de Diretor de Regulação de Direitos Autorais na Secretaria de Direitos Autorais e Intelectuais (SDAI) do Ministério da Cultura do Brasil.


Claudio Santos Pinhanez
É cientista da computação, pesquisador e líder de inovação em inteligência artificial. Doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), atuou por mais de duas décadas na IBM Research, onde liderou projetos internacionais relacionados à interação humano-computador, inteligência artificial e tecnologias cognitivas. Foi membro docente do Departamento de Ciência da Computação do IME-USP e cientista pesquisador da IBM T.J.
Watson Research Center Yorktown Heights, em Nova York. Atuou com pioneirismo em sistemas interativos de corpo inteiro baseados em câmeras e criou o “Everywhere Displays”, um sistema de projeção interativa capaz de transformar qualquer superfície em uma tela responsiva. Atualmente desenvolve pesquisas sobre os impactos sociais da IA, ética tecnológica e inclusão digital.


Guilherme Capinzaiki Carboni
É Doutor e Mestre em Direito Civil pela Faculdade de Direito da USP, com Pós-Doutorado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, financiado pela FAPESP. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP). Professor do Programa de Pós-graduação Lato Sensu da Direito SP (FGVLaw). Coordenador do Grupo de Pesquisa em Propriedade Intelectual, Direitos Humanos e Inclusão da Direito FGV-SP (GPIDHI). É fundador da Escola da Autoria Contemporânea, vinculada ao Instituto de Direito, Economia Criativa e Artes (IDEA). Foi pesquisador-visitante em Sociologia do Direito na Università Degli Studi di Milano, Itália. Realizou pesquisa e consultoria para a UNESCO sobre o assunto bibliotecas e direitos autorais. Coordenou o projeto Pensando o Direito, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça para o assunto Direitos Autorais e Internet. Autor dos livros ‘O Direito de Autor na Multimídia’ (2003), ‘Função Social do Direito de Autor’ (2008) e ‘Direito Autoral e Autoria Colaborativa: na Economia da Informação em Rede’ (2010), além de diversos artigos sobre propriedade intelectual em jornais e revistas.


James Leach
É antropólogo e Diretor de Pesquisa (Directeur de Recherche) do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica da França). Também desenvolve pesquisas no laboratório CREDO (Centro de Pesquisa e Documentação sobre a Oceania), vinculado à Universidade de Aix-Marseille, na França, e é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre propriedade intelectual, conhecimento, criatividade e relações entre ciência, cultura e tecnologia. Desenvolveu extensa pesquisa etnográfica na Papua-Nova Guiné e é referência nos debates sobre conhecimento tradicional, direitos culturais e os impactos dos regimes de propriedade intelectual sobre diferentes formas de produção de conhecimento.

Júlio César Gaitán Bohórquez
É Presidente de Direitos Constitucionais e Diretor do Centro de Internet e Sociedade da Universidade Rosario (ISUR) em Bogotá. Possui doutorado em Evolução dos sistemas jurídicos e novos direitos pela Universidade Lecce, Itália. Foi professor visitante na Universidade da Califórnia em Berkeley (2007, 2013, 2018) Sua produção acadêmica aborda os desafios contemporâneos da regulação jurídica diante das transformações tecnológicas e dos processos de reconhecimento da diversidade cultural.


Leilani Dian Mendes
É doutoranda em Direito e Tecnologia pela Universidade de St. Gallen e mestre em Direito em dos Negócios da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Atua como pesquisadora e especialista em políticas públicas, governança digital e inovação tecnológica. Sua atuação inclui projetos voltados à inclusão digital, proteção de direitos em ambientes digitais e desenvolvimento de estratégias para o uso responsável de tecnologias emergentes. Tem colaborado com iniciativas voltadas à promoção da diversidade e da equidade no ecossistema digital.


Khadja Brito de Oliveira
É doutoranda e mestra em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) e bacharela em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Desenvolve pesquisas nas áreas de Direito Econômico e Direitos Humanos, com especial interesse nas relações entre instituições jurídicas e desigualdade. Coordena o Grupo Direito e Pobreza (GDP) e o Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais (LACONTRA/USP). Também atua em iniciativas de documentação e preservação de línguas indígenas e de enfrentamento dos impactos das novas tecnologias sobre comunidades tradicionais. Além da atuação acadêmica, é advogada com experiência nas áreas de Direito Societário e Mercado de Capitais.


Leonardo Feltrin Foletto
É jornalista, pesquisador e professor brasileiro, doutor em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Trabalha com comunicação e cultura digital desde 2008 em diversos projetos e organizações. Foi professor visitante na PUCSP, PUCRS e Unisinos. É pesquisador da FGV Comunicação e integrante do capítulo brasileiro do Creative Commons. Seu último livro é “A Cultura é Livre”, lançado em 2021. Coordena projetos de divulgação científica e reflexão crítica sobre internet, conhecimento livre, inteligência artificial e os desafios da cultura digital contemporânea.


Majoí Fávero Gongora
É doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorado na mesma instituição e no Laboratoire d’Anthropologie Sociale (LAS, França). Desde 2013, desenvolve pesquisas etnográficas junto ao povo Ye’kwana (Roraima, Brasil), investigando especialmente cantos rituais, coleções indígenas e formas de circulação de conhecimentos. Atuou na coordenação de projetos colaborativos de documentação da cultura Ye’kwana (Museu Nacional do Povos Indígenas/Unesco e EMKP/Museu Britânico) em colaboração com pesquisadores ye’kwana e a associação Seduume. Foi coordenadora de pesquisa e assistente de curadoria de “Nhe’ẽ Porã: memória e transformação” (2022-2023), exposição realizada pelo Museu da Língua Portuguesa (MLP) com curadoria de Daiara Tukano, dedicada à diversidade das línguas indígenas no Brasil. Hoje integra a equipe do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas.


Maria Luísa Lucas
É professora de Etnologia Indígena do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, coordenadora da área de Antropologia no Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP). Foi pesquisadora e professora temporária no Musée du quai Branly, na Universidade de Princeton e na Universidade Paris Nanterre. Realiza pesquisa de campo na Amazônia desde 2010 e tem coordenado projetos de pesquisa em documentação e coleções (Unesco/MNPI, USP-Cofecub, EMKP/The British Museum). Suas pesquisas giram em torno dos seguintes temas: etnologia indígena; regimes indígenas de historicidade e história indígena de longa duração; antropologia da arte e dos museus; documentação antropológica; circulação física e digital de acervos.


Mariana Yumi Shimmi Ide
É aluna de graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), integra o Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais da Faculdade de Direito da USP e desenvolve iniciação científica junto ao Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Sua pesquisa concentra-se na proteção jurídica de conhecimentos e expressões culturais indígenas.


Paula Westenberger
É pesquisadora da Brunel University London, Reino Unido. É membro do Centro de Inteligência Artificial da Brunel University. Anteriormente ocupou cargos na Queen Mary University of London e na Buckinghamshire New University. Possui doutorado e mestrado em Direito da Propriedade Intelectual pela Queen Mary University of London (QMUL), e bacharelado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde também fez parte do grupo de pesquisa do Centro de Direitos Humanos “Simulações e Realidade”. Também possui um Certificado de Pós-Graduação em Curadoria e Gestão de Coleções (Birkbeck) e um Certificado de Pós-Graduação em Prática Acadêmica (Brunel). Atualmente, é pesquisadora do programa Bridging Responsible AI Divides (BRAID), liderando o projeto de 18 meses “Inteligência Artificial Responsável para o Patrimônio: perspectivas de direitos autorais e direitos humanos”, em parceria com o Jardim Botânico Real de Kew (financiado pelo AHRC).Sua atuação acadêmica concentra-se nos campos da propriedade intelectual, direitos humanos, inovação e justiça social.


Renata Vieira da Motta
É doutora em Arquitetura e Urbanismo e especialista em Gestão Pública. Atuou na Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, como Diretora Técnica do Sistema Estadual de Museus e como Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico. Foi Assessora Técnica da Reitoria da USP para a área de museus e coleções, atuando principalmente no projeto do Museu do Ipiranga. Foi presidente do ICOM Brasil, seção brasileira do Conselho Internacional de Museus. Atualmente é Diretora Executiva da organização social de cultura IDBrasil, gestora do Museu do Futebol e do Museu da Língua Portuguesa.


Ruth Lade Okediji
É professora na Cátedra Jeremiah Smith Jr. de Direito na Faculdade de Direito de Harvard e Co-diretora do Centro Berkman Klein. Assessora organizações intergovernamentais, comunidades econômicas regionais e governos nacionais em uma série de assuntos relacionados à tecnologia, políticas de inovação e desenvolvimento. Suas ideias ajudaram a moldar estratégias nacionais para a implementação do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Acordo TRIPS) da OMC. Ela trabalha em estreita colaboração com diversas agências das Nações Unidas, centros de pesquisa e organizações internacionais sobre os efeitos da política internacional de PI no desenvolvimento humano, incluindo o acesso ao conhecimento, o acesso a medicamentos essenciais e questões relacionadas a sistemas de inovação locais. Foi membro do Comitê sobre o Impacto da Política de Direitos Autorais na Inovação na Era Digital do Conselho de Ciência, Tecnologia e Política das Academias Nacionais dos Estados Unidos. Ela atuou como Especialista Técnica Chefe e Negociadora Principal da Delegação da Nigéria na Conferência Diplomática da OMPI de 2013 para Concluir um Tratado para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas por Pessoas com Deficiência Visual e Pessoas com Dificuldades de Leitura (Tratado VIP de Marrakesh). Foi nomeada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para o Painel de Alto Nível sobre Acesso a Medicamentos de 2015-2016. É uma das principais especialistas mundiais em propriedade intelectual, comércio internacional e desenvolvimento. Sua pesquisa aborda as relações entre inovação, acesso ao conhecimento, direitos autorais e justiça global, com especial atenção aos impactos dos regimes internacionais de propriedade intelectual em países em desenvolvimento. Atua também como consultora de organismos internacionais e governos em temas de propriedade intelectual.


Sachin Sathyarajan Ennazhi
É advogado na área de Direito Internacional e professor da Manipal Academy of Higher Education. Anteriormente, lecionou na Jindal Global Law School, na National Law School of India University e na Blavatnik School da Universidade de Oxford. Sua pesquisa se baseia nos movimentos de acesso ao conhecimento e abertura, reimaginando o direito e a economia política da inovação global em um mundo cada vez mais digitalizado. Como parte de sua atuação em defesa de direitos, coordenou iniciativas no Centro para Internet e
Sociedade (CIS) e no Centro Internacional para Comércio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD). Oferece expertise na elaboração de políticas governamentais e relatórios da ONU, além de análises legislativas, estratégias regulatórias e revisões de tratados. É autor de relatórios e apoiou negociações multilaterais para a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua experiência corporativa inclui consultoria a clientes dos setores de TI, comércio eletrônico, saúde e ciências da vida em diversas questões regulatórias na Shardul Amarchand. Ele também participa ativamente da adaptação às mudanças climáticas por meio da rede da Universidade das Nações Unidas (UNU-RCE) e da Fundação Sustera.


Sophia Couto Bittencourt
É aluna de graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), integra o Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas e o Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais da Faculdade de Direito da USP. Sua pesquisa concentra-se em propriedade intelectual, conhecimentos tradicionais e governança de dados de povos tradicionais.


Susana Kaingang
É pesquisadora, advogada e liderança indígena do povo Kaingang. Possui formação em Direito e Educação e tornou-se a primeira mulher indígena a obter o título de doutora pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua há mais de duas décadas na defesa dos direitos indígenas, especialmente nas áreas de educação, cultura, território e valorização dos conhecimentos tradicionais. Também integra iniciativas vinculadas ao Instituto Kaingang.


Vitor Ido
É professor de Direito Comercial da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador responsável pela área jurídica do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas e coordenador do Laboratório de Direitos Intelectuais e Conhecimentos Tradicionais da Faculdade de Direito da USP. Sua pesquisa concentra-se em propriedade intelectual, conhecimentos tradicionais, biodiversidade, desenvolvimento e direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. É autor de estudos sobre a proteção jurídica dos conhecimentos tradicionais e sua inserção na economia global.