Colóquio Internacional “Oyapock, o rio que une”

De 26 a 28 de novembro, será realizado o Colóquio Internacional Oyapock, o rio que une: línguas e conhecimentos indígenas além das fronteiras, no Auditório do Museu da Língua Portuguesa.  

O evento será realizado em 3 dias. Para participar, é necessário fazer a inscrição na plataforma Sympla (neste link). Você pode se inscrever para 1, 2 ou 3 dias. A inscrição deve ser feita separadamente para cada dia de participação. 

O evento, que terá participações em português e em francês, contará com tradução simultânea, além de intérpretes de Libras. 

Confira as informações e a programação completa:   

Colóquio Internacional 

Oyapock, o rio que une: línguas e conhecimentos indígenas além das fronteiras  

Oyapock, um topônimo de origem indígena, é o nome do rio que estabelece a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa e percorre centenas de quilômetros até desaguar no Oceano Atlântico. Mais do que um limite geográfico, o rio é uma via de conexão entre os povos indígenas da região, cujas relações, muito antigas, extrapolam as atuais fronteiras nacionais, heranças coloniais. 

Com o foco nas histórias, conhecimentos e línguas indígenas, este Colóquio Internacional reúne linguistas, antropólogos, educadores, artistas e lideranças para debater temas relevantes aos povos originários de um modo geral, e especialmente aos Wajãpi, Wayãpi, Wayana, Apalai, Kali’na Tɨlewuyu, Galibi Kali’na, Galibi Marworno, Parikweneh, Paykweneh Palikur, Karipuna, Lokono, Teko e Kaxuyana, povos que habitam o Planalto das Guianas, uma região mundialmente reconhecida por sua vasta biodiversidade e pluralidade sociocultural. 

O encontro celebra a riqueza cultural e linguística desses povos e espera fortalecer alianças, visibilizar iniciativas de revitalização e documentação e refletir sobre os diversos contextos e ações que vêm sendo desenvolvidas no sentido de assegurar a autodeterminação dos povos indígenas, cujas existências resistem e florescem além das fronteiras. Temas como multilinguismo, políticas linguísticas, educação intercultural, revitalização cultural e linguística, museus indígenas, restituição de coleções e desafios contemporâneos serão abordados, privilegiando vozes indígenas.  

Oyapock, o rio que une é um convite a navegar por águas que reúnem povos, fazem circular práticas e conhecimentos e projetam caminhos de colaboração e valorização desse vasto legado.   

O Colóquio Internacional Oyapock, o rio que une: línguas e conhecimentos indígenas além das fronteiras é uma iniciativa do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, um projeto conjunto do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O evento conta com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Institut Français, da Collectivité Territoriale de Guyane (CTG), da Cité internationale de la langue française, do Parc Amazonien de Guyane (PAG) e do Consulado da França. Conta ainda com a parceria do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA). Parte da programação da Temporada França-Brasil 2025, o colóquio é também uma realização do Governo do Estado de São Paulo. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA 

DIA 1 – 26 DE NOVEMBRO 

8h30 

Credenciamento e café de boas-vindas 

9h15 

Performance Nhe’ẽrỹ de Carlos Papá e cerimônia de abertura 

Liderança e cineasta indígena do povo Guarani Mbya, trabalha há mais de 20 anos com produções audiovisuais, com o objetivo de fortalecer e valorizar a cultura Guarani Mbya por meio da realização de documentários, filmes e oficinas culturais para os jovens. Também atua como líder espiritual em sua comunidade, no Rio Silveira, litoral de São Paulo. É o coordenador da Escola Viva Guarani – Ponto de Cultura Mbya Arandu Porã, conselheiro do Instituto Maracá e representante da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY). 

10h30 – 12h30 

Mesa 1 

PAISAGENS VIVAS: CIRCULAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE LÍNGUAS E CONHECIMENTOS INDÍGENAS 

A mesa reúne artistas, pensadoras e lideranças indígenas com o objetivo de aprofundar o entendimento de que as línguas e os conhecimentos indígenas são paisagens vivas, em constante circulação e transformação, que ultrapassam fronteiras geopolíticas e se recriam nos contextos contemporâneos. O debate abordará temas como museus indígenas, experiências concretas de valorização linguística e cultural, iniciativas de difusão cultural e artística em contextos urbanos e fronteiriços, autonomia indígena em relação ao acesso e à circulação de conhecimentos tangíveis e intangíveis. Um diálogo essencial para refletir sobre as atuais estratégias para o fortalecimento das línguas e dos modos de vida indígenas em seus territórios e para manter viva a memória de cada povo. 

Anne-Marie Chambrier 

Indígena do povo Lokono, preside a Federação Lokono da Guiana, cujas ações concentram-se na revitalização da língua arawaka e no fomento de projetos culturais, sociais e ambientais. Desde 2014, atua como encarregada da Missão em Línguas e Autoctonia junto ao Serviço de Línguas e Patrimônios da Collectivité Territoriale de Guyane (CTG). Nessa função, trabalha pela valorização do multilinguismo e promoção de ações voltadas à escrita das línguas regionais da Guiana, além de coordenar projetos e eventos, como a Jornada dos Povos Indígenas. Recentemente, coordenou a criação do memorial em homenagem a “Pi’pi Ahieramo, Pi’pi Molko e aos 47 kali’na e arawak exibidos em 1882 e 1892 no Jardim Zoológico de Aclimatação, em Paris”, uma iniciativa realizada em parceria com a Associação Moliko Alet+po. 

Kassia Lod 

Pertencente ao povo Galibi Kali’na, é formada em Direito, com diploma em Licenciatura Intercultural Indígena. Preside a Associação Na’na Kali’na, organização dedicada ao fortalecimento social, cultural e político dos Kali’na da Terra Indígena Galibi. Atualmente, é a diretora do Museu Kuahí, localizado em Oiapoque (Amapá), espaço voltado à preservação e valorização da cultura e história dos povos indígenas Palikur-Arukwayene, Galibi Kali’na, Karipuna e Galibi-Marworno. 

Cristine Takuá  

Pensadora e educadora do povo Maxakali, com formação em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com doze anos de experiência como professora na Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kuai’, hoje atua como representante do Núcleo de Educação Indígena (NEI) na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e é membro fundadora do Fórum de Articulação dos Professores Indígenas do mesmo Estado. Também integra o Instituto Maracá, organização responsável pela gestão compartilhada do Museu das Culturas Indígenas, em São Paulo, e coordena o projeto “Escolas Vivas”. 

Daiara Tukano  

Do povo indígena Yepamahsã (Tukano) e do clã Eremiri Hãusiro Parameri (Amazônia brasileira), é artista visual, pesquisadora e curadora indígena. Mestra em Direitos Humanos, realiza pesquisas sobre o direito à memória e à verdade dos povos indígenas. É representante indígena do Conselho Nacional de Cultura do Brasil e foi a curadora da exposição Nhe’ẽ Porã: memória e transformação, do Museu da Língua Portuguesa. 

Mediação de Yuwey Henri 

Talãmelonin (poeta, escritora), onumingadoton (pensadora) e owomatodon (militante) da nação Kalin’a Tɨlewuyu (povo indígena da “Guiana francesa”) e franco-brasileira, é membro do Conselho Administrativo de “Documents d’Artistes Caraïbes Amazonies” (DDACA), que visa a promover e divulgar a arte contemporânea nesses territórios. Integrando a luta pelo futuro dos Kalin’a, busca fortalecer a preservação das culturas indígenas de seu território ancestral que ainda sofrem as mazelas da colonização. 

14h30 – 16h30 

Mesa 2 

POLÍTICAS DO MULTILINGUISMO: ESTRATÉGIAS PARA A PROMOÇÃO DA DIVERSIDADE 

Neste encontro com linguistas, educadores e gestores públicos serão abordadas as estratégias de proteção e promoção da diversidade linguística em articulação com ações em diversas escalas. O debate oferecerá um panorama crítico sobre a situação das línguas indígenas e as políticas linguísticas no Brasil e na Guiana Francesa, territórios marcados pelo multilinguismo e pelo contato intenso entre línguas, especialmente na região fronteiriça onde línguas indígenas, crioulas e europeias coexistem. O foco estará nas políticas públicas voltadas à promoção da diversidade linguística, nos impactos da colonialidade sobre o sistema educacional, nas experiências de educação em contextos multilíngues e nas possibilidades de cooperação transfronteiriça, tendo em vista estratégias binacionais para fortalecer as línguas indígenas. 

Sônia Jean-Jacque  

Liderança indígena de dupla ascendência – Galibi Kali’na por parte de pai e Karipuna por parte de mãe –, é moradora da aldeia Galibi, localizada na Terra Indígena Galibi às margens do Rio Oiapoque. Formada em Licenciatura Intercultural Indígena, estuda Direito na Universidade Federal do Amapá (Unifap). Sua trajetória como liderança começou cedo, acompanhando o pai, que é cacique. Em 2021, foi eleita a primeira vice-cacica de seu povo no Brasil. Além de professora, é mãe, artesã e coordenadora do grupo Manulí Artes, que reúne artesãs de sua comunidade. Atuou como conselheira deliberativa da Associação Na’na Kali’na e hoje é vice-coordenadora. Em 2022, tornou-se a primeira vice-coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque (CCPIO), sendo a primeira mulher na diretoria. Em 2023, depois de trabalhar na Secretária Adjunta da Região de Oiapoque, assumiu a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (SEPI) do governo do Amapá.  

Isabelle Léglise  

Linguista e pesquisadora francesa, especialista em sociolinguística e contato linguístico. Suas pesquisas dedicam-se ao multilinguismo na Guiana Francesa, no Brasil e no Suriname, especialmente no âmbito da educação e saúde e das famílias transnacionais. É diretora de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS, Paris) e vice-diretora do Laboratoire de Sciences du Langage – Structure et Dynamique des Langues (Sedyl). Recentemente, coordenou o dossiê “Inégalités éducatives, langues et accès aux savoirs dans les Outre-mer” [“Desigualdades educacionais, línguas e acesso aos conhecimentos nos territórios ultramarinos”] (2024), da revista Contextes et Didactiques, e se interessa pela inclusão dos conhecimentos locais no ensino. 

Jaciara Santos da Silva  

Pertencente ao povo Galibi-Marworno, é graduada em Licenciatura Intercultural Indígena e mestre em Letras pela Universidade Federal do Amapá (Unifap). Atua como professora da língua indígena kheuól galibi-marworno desde 2010 no Oiapoque (Amapá), no âmbito do Sistema Organizacional Modular de Ensino Indígena (NEI/SEED/SEAD). Como pesquisadora, dedica-se à documentação e revitalização de sua língua e cultura, atuando na criação de materiais didáticos e na elaboração de um dicionário multimídia de kheuól galibi-marworno, um projeto do Programa de Documentação de Línguas (Prodoclin) do Museu Nacional dos Povos Indígenas. 

Daniel François  

Professor no Ensino Básico na Académie de Guyane desde 2003, já percorreu toda a Guiana Francesa para ensinar. Em 2015, foi Conselheiro Pedagógico Departamental encarregado de línguas maternas na Académie de Guyane. Em 2018, trabalhou como professor em um colégio da França Metropolitana, antes de voltar à Guiana Francesa em 2020. Já ocupou o posto de Encarregado de Missão no quadro da Formação Continuada da Université de Guyane. Seu trabalho tinha como objetivo organizar a formação dos intervenants (auxiliares linguísticos) em língua materna, com o intuito de promover sua capacitação e a obtenção de um diploma universitário em Ciências da Educação. Desde 2025, é Inspetor da Educação Nacional encarregado de línguas maternas na Académie de Guyane. 

Mediação de Luciana Storto 

Especializada em línguas indígenas, é professora livre-docente do Departamento de Linguística da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da área de Linguística do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Sua trajetória acadêmica é dedicada à descrição e análise de línguas indígenas, sintaxe formal, linguística histórica e fonologia experimental. Sua experiência de campo com o povo Karitiana, em Rondônia, foi tema de sua pesquisa de doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT, Estados Unidos). Realizou três pós-doutorados: na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade de Edinburgh (Escócia). É também autora de Línguas indígenas: tradição, universais e diversidade (2019). 

DIA 2 – 27 DE NOVEMBRO 

10h – 12h 

Mesa 3 

MAIS DE UMA LÍNGUA, MAIS DE UMA CULTURA: DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INTERCULTURAL INDÍGENA 

Com a participação de especialistas que atuam em diversas áreas da educação indígena, a mesa discutirá iniciativas em contextos interculturais e multilíngues, no Brasil e na Guiana Francesa, relacionadas à formação de professores indígenas (como licenciaturas interculturais e magistérios indígenas); políticas de ensino bilíngue ou multilíngue; experiências de pesquisa indígena e redes colaborativas entre universidades, escolas indígenas e organizações indígenas para aprimorar o sistema educacional voltado a esses povos. A proposta é discutir as estratégias para a construção da educação intercultural indígena diferenciada, valorizando suas línguas e seus conhecimentos. 

Glauber Romling 

Professor da Licenciatura Intercultural Indígena (Oiapoque) e do Programa de Pós-Graduação em Letras (Macapá) da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Possui pós-doutorado, doutorado e mestrado em linguística, com foco em línguas indígenas. Coordenou a Licenciatura Intercultural Indígena e foi coordenador de pesquisa, extensão e ações comunitárias do Campus Binacional em Oiapoque. É gestor científico do projeto voltado à construção de dicionários online e aplicativos para o kheuól do Uaçá (variedades karipuna e galibi-marworno) do Museu Nacional dos Povos Indígenas. Coordena o projeto de pesquisa “As línguas indígenas do Amapá e norte do Pará: descrição, análise, documentação e (re)vitalização” e é presidente da Comissão de Línguas Indígenas da Associação Brasileira de Linguística (Abralin). 

Dilziane Palikur  

Indígena do povo Palikur-Arukwayene, artesã e educadora natural do município de Oiapoque. É formada em pedagogia pelo Instituto de Ensino Superior Amapá (Iesap) e mestre em Letras pela Universidade Federal do Amapá, com pesquisa sobre a situação sociolinguística do povo Palikur. Atualmente, é coordenadora pedagógica da Escola Indígena Estadual Moisés Iaparrá, onde trabalha em colaboração com os professores no planejamento e na organização de ações pedagógicas. Seu foco é desenvolver estratégias educacionais que potencializem a aprendizagem dos estudantes, aliando saberes tradicionais a métodos de ensino contemporâneos, e valorizem a cultura e a língua de seu povo. 

Ady Norino  

Pertencente ao povo Parikweneh, é professor especializado na língua parikwaki. Atualmente, leciona na escola Élie Castor em Saint-Georges de l’Oyapock, na Guiana Francesa. Como líder cultural do povo Parikweneh, encarregado dos arquivos, é coautor de Parikwene agigniman: une présentation de la musique parikwene (Palikur) [Parikwene agigniman: uma apresentação da música parikwene]. 

Dominique Tilkin Gallois  

É professora colaboradora sênior do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP). Tem vasta experiência nas áreas de Etnologia e História Indígena, atuando principalmente com tradições orais e cosmologias ameríndias, políticas indígenas, patrimônio cultural e conhecimento tradicional. É uma das fundadoras do Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, que desenvolve atividades de assessoria direta às comunidades indígenas no Amapá e norte do Pará, colaborando com órgãos públicos e organizações não governamentais em programas de formação indígena. Atualmente, coordena o Programa Zo’é do Iepé. 

Mediação de Cleirray Wera Fernando 

É professor indígena do povo Tupi-Guarani e liderança do movimento indígena do litoral sul do Estado de São Paulo. Tem atuado em projetos voltados ao fortalecimento linguístico em comunidades indígenas e, desde 2023, é professor de línguas tupi e guarani em escolas Waldorf em São Paulo. 

14h30 – 16h30 

Mesa 4 

INICIATIVAS DE REVITALIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO LINGUÍSTICA 

Esta mesa abordará questões relacionadas à revitalização linguística, um processo intencional de recuperação, fortalecimento e transmissão intergeracional de línguas ameaçadas de desaparecimento. No caso dos povos indígenas, processos de assimilação forçada pela sociedade nacional associados à proibição do ensino das línguas indígenas, de práticas rituais, entre outras formas de violência, provocaram a perda ou o enfraquecimento de suas línguas. Graças à resiliência indígena e a projetos colaborativos de pesquisa e documentação, ações de retomada ou revitalização linguística têm se multiplicado, criando estratégias de valorização das línguas e dos conhecimentos indígenas. A partir do diálogo entre especialistas nessa área, o encontro discutirá exemplos de iniciativas realizadas no âmbito da educação formal e não formal, projetos participativos de documentação linguística com elaboração de dicionários, gramáticas e materiais didáticos, multimídias e projetos inovadores construídos pelas comunidades indígenas com a participação decisiva dos falantes mais velhos para estimular a aquisição da linguagem pelas novas gerações.  

Janina dos Santos Forte  

Linguista do povo Karipuna, é presidente da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM) e cacica da Aldeia Espírito Santo. Formou-se em Licenciatura Intercultural Indígena pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), onde também fez o mestrado em Letras. Tem experiência nas áreas de Letras, Língua Kheuól, Cultura, Educação e Política Indígena. Já trabalhou como professora substituta no Curso Intercultural Indígena no Campus Binacional da Unifap e hoje é professora do ensino médio na Escola Indígena Estadual João Teodoro Forte. É coordenadora local do projeto “Dicionário multimídia do kheuól karipuna”, realizado no âmbito do Programa de Documentação de Línguas (Prodoclin) do Museu Nacional dos Povos Indígenas. 

Gelsama Mara Ferreira dos Santos 

É mestre e doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado em Antropologia Social (Museu Nacional/UFRJ). Professora associada da Universidade Federal do Amapá (Unifap), atua como coordenadora da Licenciatura Intercultural Indígena no Campus Binacional de Oiapoque e no Programa de Pós-Graduação em Letras. Suas pesquisas concentram-se na educação escolar indígena e na documentação, descrição e revitalização de línguas indígenas, como kuikuro, kali’na, kheuól karipuna e kheuól galibi-marworno. Coordena a Ação Saberes Indígenas na Escola (Secadi/MEC) e atualmente é vice-coordenadora da Comissão de Línguas Indígenas da Associação Brasileira de Linguística (Abralin). 

Jammes Panapuy  

Indígena do povo Teko, dedica-se ativamente à preservação e valorização das tradições de seu povo, especialmente por meio da música, dança e narrativas. Como chefe da delegação do Oiapoque do Parc amazonien de Guyane (PAG), concentra-se em ações de salvaguarda dos conhecimentos, da língua teko, da memória coletiva e dos laços intergeracionais na comunidade. 

Eliane Camargo  

Etnolinguista, estuda a cultura e a língua dos povos Caxinauá (família pano), Aparai e Wayana (família caribe) e Arawaka (família arawak). Sua pesquisa centra-se na abordagem da linguística cognitiva, especialmente nas áreas de etnosintaxe, etnosemântica e etnodicionários. Atua com documentação cultural e linguística, bem como revitalização linguística, e é autora de diversos artigos e livros, com destaque para publicações bilíngues em colaboração com pesquisadores indígenas. Coordenou o projeto de documentação “Cultura e Língua Caxinauá”, do programa DOBES (Documentation of Endangered Languages) (2006-2011), e o projeto SAWA (Savoirs Autochtones Wayana-Apalaï) realizado na Guiana Francesa. Atualmente, coordena projetos na Ipê – Associação para o Diálogo Intercultural: Pesquisa e Ação (França). 

Mediação de Ana Vilacy Galúcio  

Doutora em Linguística pela Universidade de Chicago, com mestrado pela mesma instituição, é pesquisadora titular do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCTIC), na área de documentação, descrição e análise de línguas indígenas. É professora do Programa de Pós-graduação em Diversidade Sociocultural (MPEG) e do Programa de Pós-graduação em Linguística e Estudos Literários da Universidade Federal do Pará (UFPA). Suas pesquisas concentram-se na descrição, análise e documentação de línguas indígenas, abrangendo documentação linguística e cultural, linguística histórica e análise morfossintática, fonética e fonológica. Integra a Comissão de Línguas Indígenas da Associação Brasileira de Linguística (Abralin). 

DIA 3 – 28 DE NOVEMBRO 

10h – 12h 

Mesa 5  

RESTITUIÇÃO E REPARAÇÃO: DIÁLOGOS SOBRE COLEÇÕES INDÍGENAS 

A partir de perspectivas indígenas, antropológicas e jurídicas, esta mesa propõe um debate sobre os desafios envolvidos nas demandas por acesso, restituição e repatriação de coleções indígenas ao redor do mundo. Na última década, tais reivindicações se intensificaram, evidenciando a urgência de criar mecanismos legais que reparem as violências históricas sofridas pelos povos originários – especialmente com relação a objetos rituais e restos humanos mantidos em museus distantes dos territórios de origem. Os projetos de repatriação, as iniciativas de restituição digital e as parcerias colaborativas com comunidades indígenas para pesquisa e documentação são fundamentais não apenas para reconfigurar as relações entre as instituições ocidentais de memória e os povos indígenas, mas também para estabelecer novas formas de colaboração. Tais práticas devem ser construídas em diálogo permanente com as comunidades de origem, garantindo que suas vozes e direitos orientem a constituição das coleções e a gestão dos acervos. 

Angela Amanakwa Kaxuyana 

Do povo Kahyana, da Terra Indígena Kaxuyana Tunayana (Pará/Amazonas), é uma liderança indígena da Amazônia brasileira. Formada em Administração e pós-graduada em Gestão e Auditoria Ambiental, integra a Associação Indígena Kaxuyana, Kahyana e Tunayana (Aikatuk) e, junto a outras lideranças do Pará, ajudou a fundar a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa). Fez parte da coordenação executiva da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), é sócia fundadora do Podáali – Fundo Indígena da Amazônia Brasileira e atual representante da Coiab na Bacia Amazônica, atuando como interlocutora junto a oito organizações indígenas de oito países. Integra o projeto “Artes do Txama Txama: documentando nossas práticas e saberes, salvaguardando nossos modos de vida”, que visa à identificação, registro e pesquisa do patrimônio imaterial relacionado às artes plumárias dos povos Katxuyana, Kahyana e Yatxkuryana.  

Maria Luisa Lucas  

É antropóloga e professora de Etnologia Indígena do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), coordenadora da área de Antropologia do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP). Foi pesquisadora e professora temporária no Museu do Quai Branly, na Universidade de Princeton e na Universidade Paris Nanterre. Realiza pesquisa na Amazônia desde 2010 e tem coordenado projetos de pesquisa em documentação e coleções (Unesco/MNPI, USP-Cofecub, EMKP/British Museum). Suas pesquisas giram em torno dos seguintes temas: etnologia indígena; regimes indígenas de historicidade e história indígena de longa duração; antropologia da arte e dos museus; documentação antropológica; circulação física e digital de acervos. 

Corinne Toka-Devilliers 

É mulher do povo Kali’na, nascida em Galibi, no distrito de Marowijne, na Guiana Francesa. Em 2021, fundou a Associação Moliko Alet+po (“os descendentes de Molko e de todos os indígenas”), da qual é presidente. A entidade foi criada em memória de sua bisavó, Molko, uma jovem kali’na que foi levada à França em 1892, junto com outros 31 indígenas dos povos Kali’na e Arawak, para serem exibidos no Jardim Zoológico de Aclimatação, em Paris. Algumas pessoas nunca voltaram de lá. Movida pelo desejo de trazer à tona essa história, ela conduz há anos uma incansável luta pela restituição dos restos mortais que estão no Museu do Homem, em Paris. Por meio da sua associação e com apoio de diversas instituições e lideranças indígenas, liderou a construção de uma homenagem a esses indígenas em Iracoubo. 

Mathilde Kamal 

É professora doutora em Direito Público na Universidade da Guiana Francesa. Sua pesquisa concentra-se nas dinâmicas de tradução constitucional e na circulação transnacional de conceitos constitucionais na América do Sul, trabalhando também com direitos fundamentais de grupos marginalizados na Guiana Francesa e na América do Sul, como os grupos LGBT+ e os povos indígenas. 

Mediação de  Majoí Favero Gongora 

É mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado na mesma instituição e no Laboratoire d’Anthropologie Sociale (LAS, França). É pesquisadora associada e co-coordenadora de Comunicação Cultural do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Coordenou o projeto “Aaseesewaadi: documentação de cantos do povo Ye’kwana” (2017-2022) no âmbito do Programa de Documentação de Culturas Indígenas do Museu Nacional dos Povos Indígenas, além de outros projetos colaborativos com povos indígenas. Atua também como editora de publicações na área – como Território Ye’kwana: a vida em Auaris (2017) e Cercos e resistências: povos indígenas isolados na Amazônia brasileira (2019) – e curadora de iniciativas de difusão das culturas originárias. Foi coordenadora de pesquisa e assistente de curadoria da exposição Nhe’ẽ Porã: memória e transformação, do Museu da Língua Portuguesa. 

14h30 – 16h30 

Mesa 6 

CONHECIMENTOS MILENARES, FRONTEIRAS E PROTEÇÃO DE UM PATRIMÔNIO AMAZÔNICO: O CASO DA MANDIOCA 

As paisagens amazônicas que conhecemos hoje foram modeladas ao longo de milênios pelos povos indígenas cujas práticas agroflorestais ajudaram a criar esses ecossistemas e sua rica biodiversidade. A Amazônia é considerada um dos principais centros de domesticação de plantas do mundo e é o berço de espécies fundamentais, como a mandioca (Manihot esculenta Crantz). A diversidade da mandioca na Amazônia é extraordinária e está diretamente relacionada às relações de troca suprarregionais milenares, ou seja, à diversidade dos próprios povos que a cultivaram ao longo do tempo. Na região das Guianas, a mandioca é central para os povos indígenas: além de base alimentar, está presente em seus modos de vida, práticas rituais e cosmologias. Evidências arqueológicas na região do Oiapoque, na fronteira Brasil-Guiana Francesa, comprovam que seu cultivo remonta a pelo menos dois mil anos. Atualmente, variedades de mandioca estão ameaçadas em ambos os lados da fronteira pela chamada vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa), doença fúngica que coloca em risco não apenas a soberania alimentar dos povos, mas também um patrimônio de valor incalculável. Diante desse cenário, iniciativas recentes buscam proteger e valorizar as variedades dessa planta, os conhecimentos indígenas e as práticas de manejo associadas.  

Eduardo Góes Neves  

Com mais de 30 anos de experiência em pesquisa na Bacia Amazônica, é professor titular de Arqueologia, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Arqueologia, foi professor visitante em diversas universidades da América Latina, Estados Unidos e Europa. Publicou amplamente sobre temas relacionados à Amazônia e recentemente organizou o capítulo sobre arqueologia amazônica para o Painel Científico da Amazônia, patrocinado pela ONU. É autor de Arqueologia da Amazônia (2006) e Sob os Tempos do Equinócio: oito mil anos de história na Amazônia Central (2022). 

Pauri Wajãpi  

Indígena do povo Wajãpi, vive na aldeia Kwapo’ywyry, na Terra Indígena Wajãpi, no norte do Amapá. Formado como técnico em Meio Ambiente pelo Instituto Federal do Amapá, atua como agente socioambiental da sua aldeia. Desde 2016, é pesquisador dos conhecimentos wajãpi e tem coordenado e participado de expedições de monitoramento territorial da Terra Indígena onde vive. Em 2025, passou a integrar a equipe do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (RURAP/AP), onde se dedica ao combate da vassoura-de-bruxa nas plantações de mandioca, auxiliando as aldeias Wajãpi na proteção de suas roças. 

Steve Norino  

Artista plástico do povo Parikweneh, formado em Belas Artes e agricultor de Saint-Georges de l’Oyapock, na Guiana Francesa.  

Joana Cabral de Oliveira 

É professora livre-docente do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na Universidade de São Paulo (USP), graduou-se em Ciências Sociais, fez mestrado e doutorado em Antropologia Social e pós-doutorado pelo Instituto de Biociências. Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford (Reino Unido). É pesquisadora colaboradora do Centro de Estudos Ameríndios (USP), coordenadora do Laboratório de Estudos Pós-Disciplinares (USP) e membro do Centro de Estudos e Pesquisa em Etnologia (Unicamp). Desenvolveu atividades indigenistas como assessora do Programa Wajãpi pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena Iepé de 2004 a 2017. Concentra suas pesquisas na área de etnologia indígena e antropologia da ciência, trafegando pelos diálogos entre a antropologia e a biologia. 

Mediação de Igor Alexandre Badolato Scaramuzzi 

Com mestrado e doutorado em Antropologia Social, tem dedicado sua trajetória de pesquisa e atuação ao tema dos conhecimentos locais, investigando como estes podem ser fortalecidos nas comunidades e veiculados em espaços institucionais, a fim de discutir suas possíveis contribuições para debates sobre temáticas importantes no mundo contemporâneo, como a conservação da biodiversidade e as mudanças climáticas. Desde 2002, trabalha como assessor de comunidades indígenas e tradicionais em projetos desenvolvidos em instâncias governamentais e não governamentais que envolvem educação escolar, cultura, patrimônio e terra e meio ambiente. 

17h-17h30  

Lançamento  

Projeto de residência cruzada entre o Museu da Língua Portuguesa e a Cité internationale de la langue française  

17h30-18h  

Exibição da obra “Maluwana – o Céu de Casa” na Praça da Língua com a presença de Aïmawale Opoya 

A maluwana é uma peça emblemática dos povos Wayana e Apalai, habitantes originários da região de fronteira Brasil-Guiana Francesa. É uma roda de madeira decorada com pinturas de seres não humanos poderosos e confeccionada especialmente para o teto redondo da tukusipan (casa cerimonial). Ela embeleza e protege esse espaço coletivo que é central para a vida ritual e cotidiana wayana e apalai. 

A ideia de criar uma obra audiovisual para a Praça da Língua do Museu da Língua Portuguesa inspirada na força simbólica desta peça nasceu durante a organização deste Colóquio Internacional, já nas primeiras colaborações entre o Museu da Língua Portuguesa e a Coletividade Territorial da Guiana: nada mais apropriado do que encerrar este encontro reunindo pessoas de diferentes povos sob um mesmo céu, protegido e belo. 

Foi assim que surgiu a obra audiovisual Maluwana – Céu de Casa: a partir de uma interpretação artística do registro da confecção da maluwana e da narração de histórias feitas por Aïmawale Opoya, artista do povo Wayana que vive na Guiana Francesa. A experiência imersiva com recursos avançados de espacialização sonora, animações 3D e projeção mapeada pensadas especialmente para a Praça da Língua é o resultado de uma colaboração entre o artista wayana e o  coletivo de arte e tecnologia AVXLab Studio, liderado por Demétrio Portugal, com o apoio do Laboratório de Inovação do SAT – Sociedade de Arte Tecnológica de Montreal.