
Além da presença da Mestra de Cerimônias, Sandra Nanayna, atriz e cantora do povo Tariano (clã Dyroá), está confirmada uma performance da artista Daiara Tukano com o grupo Bayaroá Kuruá.
O grupo Bayaroá Kuruá, formado por estudantes indígenas da Unicamp, surgiu como uma iniciativa de reafirmar a presença indígena na universidade. Seus integrantes são originários da região do Rio Negro, no Amazonas, e pertencem a diversos povos, como Tukano, Dessano, Tariano, Piratapuia e Baniwa. A expressão Bayaroá Kuruá pode ser traduzida como “grupo de mestres de cantos e danças”, inspirando as ações do grupo dedicadas à valorização das expressões artísticas dos povos do Rio Negro.

Foto: Carolaine Helena Valentim Cabral.
Atualmente, além das apresentações, o coletivo promove ações de intercâmbio sobre conhecimentos, epistemologias e filosofias indígenas dentro e fora da universidade.
Siga o perfil do grupo e acompanhe suas atividades no Instagram: @bayaroa_kurua
Daiara Tukano é artista, curadora, professora e ativista pertencente ao clã Eremiri Hãusiro Parameri do povo Tukano. Graduada em Artes Visuais e Mestre em Direitos Humanos pela Universidade de Brasília – UnB, ela pesquisa o direito à memória e à verdade dos povos indígenas. É representante dos povos indígenas no Conselho Nacional de Cultura CNPC/MINC (2022-2025) e foi a curadora da exposição Nhe’ẽ Porã: memória e transformação realizada pelo Museu da Língua Portuguesa.

Foto: Acervo pessoal
Nesta performance da artista com grupo Bayaroá Kuruá serão realizadas danças e cantos dos repertórios Kapiwayá (Ihkí Bahsá) e Cariçu característicos dos povos Tukano, Tuyuka, Desana e Tariano. Tradicionalmente, tais manifestações acontecem durante os dabucuri, cerimônias de troca nas quais diferentes comunidades partilham conhecimentos sobre histórias de origem e rituais e ofertam alimentos e bebidas. Durante a performance, será projetada na Praça da Língua a obra audiovisual Hori, de Daiara Tukano.

Vídeo de instalação (10’20”), 2023. Invisíveis Produções (execução) e BIJARI (animação gráfica).
Hori é uma concepção estética do povo Tukano (Yepá Mahsã) que remete ao jogo de luz, à beleza, ao perfume e às imagens que existem na matéria prima do universo. Hori designa as “mirações”, as visões alcançadas por meio do kahpi (ayahuasca), medicina que é a origem dos conhecimentos, histórias, cantos, desenhos e da língua do povo Tukano. Para a artista, hori também pode ser compreendido como “arte miracional”.
